sábado, 30 de outubro de 2010

GAL A TODO VAPOR

Em 1971 quando rolou o show VAPOR BARATO (uma alusão ás dunas de GAL), era um lugar frequentado por hippies,estudantes, militantes, maconheiros, jovens antenados que faziam  uma oposição lisérgica ao governo militar e ali (num  pequeno trecho onde jorrava o esgoto na praia de Ipanema no Rio) pouco eram incomodados. 
Gal era a musa maior, a estrela sobrevivente da saga tropicalista, segurando sozinha a bandeira enquanto  seus mentores GILBERTO GIL  e CAETANO VELOSO estavam exilados em Londres.
O show tinha WALY SALOMÃO na direção, LANNY GORDIN nos arranjos, JORGINHO,  PEPEU (novos baianos) BAIXINHO e NOVELLI na banda. 

O disco (dividido em 2, um voz e violão, outro banda) traz em si um sentimento de angústia, um grito agônico de quem não concordava com aquilo e não podia fazer (quase) nada pra mudar o quadro, daí a dualidade de todas as letras cutucando o sistema com dardos poéticos.
Como no belíssimo samba de Isamel Silva “Antonico” pedindo auxilio; “faça por ele como se fosse por mim”  ou “Dê um Rolê” dos novos baianos; “enquanto eles se batem, dê um rolê”
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo!  e “tudo certo como 2 e 2 são 5” do Robertão, “Tente passar pelo que estou passando” dizia Luiz Melodia, de WALLY e MACALÉ ; “talvez eu volte, um dia eu volto, quem sabe...”  Assum Preto, Luz do Sol, Mal Secreto...
Quem ouvir vai identificar as intenções, os pedidos de socorro e a fúria rebelde ali contida  num disco marginal, absurdamente humano, belo em cada detalhe, cada música escolhida pra representar  o descontentamento.
Tudo isso cantado de forma magistral por GAL que filtrava na voz o legado tropicalista, só ela poderia unir Macalé, Melodia, Jorge Ben, Caetano, Luis Gonzaga, Ismael Silva, Roberto Carlos num mesmo disco e isso soar coezo, sem afetações e ecleticidades .
Ia dos sussurros de João Gilberto aos berros de Janis Joplin , da dolência de uma Dalva de Oliveira ao canto emotivo de uma Bethânia.
É um disco folk, rock, emepebistico, cool.
Uma obra prima raivosa, de emoção contida e extavazada a todo momento.  Um documento histórico de uma época que vez por outra parece se repetir, fazendo as canções soarem atuais sempre.
A grande cantora da MPB que depois disso preferiu seguir um caminho menos interessante deixou aqui todas as cores do retrato de uma época, de uma geração.
É o meu pré-ferido de Gal Costa.
Baixem!

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